Estratégia – Tática – Planejamento

prof_anselmo: Bem amigos…

desejava escrever algo sobre esse tema há algum tempo, e hoje finalmente consegui um tempo para colocar a idéia no papel.

Espero que contribua com os companheiros e que de alguma forma, modifique sua forma de ver e planejar seu jogo.

Estratégia e Tática

Todo jogador que pensa em desenvolver um jogo vitorioso deve ter muito claro esses dois conceitos em sua mente, e acima de tudo, colocar em prática.

Para que isso aconteça são necessários alguns pontos: primeiramente estudo, para adquirir ferramentas e dominá-las em momentos estratégicos. Segundo discernimento para fazer uso do conhecimento adquirido. Terceiro e não menos importante planejamento.

Toda ação não planeja de partida já está fadada ao fracasso, de outra forma, todo planejamento não posto em prática, não passa de simples idéias.

Assim é necessário o equilíbrio e co-ação entre: planejamento e ação. A Teoria deve partir da prática, e para a prática retornar.

Em um processo que em pesquisa acadêmica chamamos de Tese – antítese – nova tese, há sempre um ciclo renovado, pois a prática nunca é a mesma, sempre há informações novas que devem recompor e reestruturar a teoria.

Pensando a partir dessa reflexão a estratégia e a tática, nunca serão prontas e acabadas definitivamente, uma vez que a prática sempre se renova.

Se buscarmos a etimologia das palavras teremos:

“Estratégia” do grego antigo — stratègos que significa “exército”

“ago” que se refere a “liderança”

No sentido original : a arte do general.

Por outro lado, a tática é arte de combinar a ação de tropas, ou os recursos característicos das diferentes armas, a fim de obter o máximo de eficácia no combate.

Fazendo analogia entre poker e essas duas palavras, temos que a estratégia se refere ao objetivo principal que é vencer o torneio, assumindo comportamentos diferentes em cada estágio do torneio.

Mas para atingir isso temos que lançar mão da tática, ou seja, os instrumentos que utilizaremos em cada momento que nos envolvermos em uma street: cbet, blocking bet, 3bet, 3bet light, 4bet …, controle de pote, trap, blefe, entre outros.

Vale ressaltar que a tática não se refere somente a essas ferramentas, mas também ao planejamento que se tem ao se envolver em uma mão, ou seja, o que farei nas streets que se seguirão frente ao adversário “x” que é tight agressivo, ou “x1” que é loose agressivo, ou ainda ao “x2” que é donkey loose. A variação é muito ampla, porque podemos estar na situação de HU , ou vários jogadores na mão. Isso tudo deve ser levado lem consideração ao estabelecer a tática que utilizará.

Temos como tática:

Donkeybet no flop
Limp , re-raise pré flop
Raise pré-flop, check flop, check no turn e raise no river
Call no pré-flop e no flop e aumentar no turn
Call pré-flop e flop, check-raise no turn
Call no pré-flop, flop e turn e aumentar no river..

Enfim, há inúmeras táticas possíveis de serem adotadas, conforme o estilo do seu adversário.

Agora há necessidade de se fazer a ação, sempre entendendo o que se quer com ela, pois se você agir pela impulsão e não pela razão, o donkey da mesa é você.

Por não planejar, não ter o conhecimento e não saber como aplicar o conhecimento, isso fará você perder dinheiro.

Apenas entendendo um pouco o que percebo em cada uma dessas táticas, quando aplicadas por jogadores mais inexperientes, que agem pela impulsão e não pelo resultado da reflexão ao se propor a fazer o movimento vejo que:

Donkeybet – é uma tentativa de levar o pote a força e que pode sinalizar blefe. Lembro essa semana na primeira etapa da LBPO, um move que fiz nesse estilo, e que um grande amigo aqui do fórum me colocou a refletir sobre isso.

Ali literalmente eu queria levar na força o pote, tanto que em 3 outras situações iguais, eu fiz a donkeybet, esperando o adversário achar que era blefe, e na verdade um trap, pois eu desejei sinalizar um tell contrário, infelizmente, os adversários não acertaram nada levei o pote sem conseguir extrair mais fichas.

Uma donkeybet, (as vezes) pode ser mais interessante do que uma aposta por valor, pois bons jogadores, saberão quando estão sendo chamados para o pote.

Vale ressaltar que foi ótima a análise do nosso amigo do fórum, porém naquele instante eu seguia uma outra linha de pensamento.

Tenho convicção que se ele tivesse errado o board, eu teria levado com minha bet fora de posição e do tamanho do pote.

O limp , re-raise pré flop, Acontece, quando um jogador entra de limp, alguém após ele aumenta, a ação volta a ele que re-aumenta.

Na maioria das vezes esse jogador está grande, e pretendeu armar para um outro adversário, tentando demonstrar fraqueza com seu limp. É um tell contrário, porém o eu re-raise mostra muita força.

Enfrentar esse re-raise, somente se eu estiver gigante nas cartas no pré-flop. Aqui eu estou disposto a foldar até um AK, pois em torneio a sobrevivência é o mais importante, e coinflip não me ajudará muito em estágios iniciais, quando tiver acabado o rebuy.

Me lembro de uma passagem do livro do maior samurai da história, Miyamoto Musahi, em que relata um duelo contra um adversário duro, contudo eles estavam em maior número, e qual foi a tática utilizada por ele e comentada pelo próprio no livro:

escondeu do grupo de adversários, e em um ataque mortal, derrotou seu principal adversário e fugiu para a floresta. E em vários outros momentos, em condições melhores, derrotou um a um.

Em poker, o seu ego deve ser deixado de lado, aqui confrontamos a melhor estratégia e não deve ser um embate de egos. Não há vergonha alguma em betar e foldar frente a uma demonstração de força de seu adversário tight.

Em outro momento comentarei sobre as demais táticas apontadas nesse ensaio.

Quem desejar ter uma pequena introdução a obra de Musashi pode acessar esse link:
O LIVRO DOS CINCO ANÉIS, de Miyamoto Musashi*|*literatura em foco

Finalizo com uma frase do maior estrategista samurai da história:
“Quando não puder mais ser enganado pelos outros homens, terá finalmente compreendido a sabedoria da estratégia.” Myiamoto Musashi

Glaccos: Caro Professor,
Quão sábia são vossas palavras!!! Parabens!!!!

P.S – “Quando a estratégia não deu certo, não fique com medo ou vergonha de desistir…..foldar faz parte do jogo.”

RaF PaLm: Parabens !!!!!!!!!!!!

Topico com muito conteudo e inteligência !!!!!!

ricardons8: Muito bom post Prof parabens!!!

Thiagolmm: Excelente topico Anselmo! Parabéns!

Pitorescus: Excelente tópico, como sempre!!! Parabéns e obrigado!

aLeXey: Muito bom topico… abriu bastante minha mente.. obrigado!

prof_anselmo: obrigado amigos…

não é tão aprofundado ou diretamente relacionado a uma ação específica, porém quando se tem uma estratégia bem definidida e a partir dela tática e disciplina para seguir a mesma, temos uma vantagem muito maior em relação aos demais competidores.

afsalagoas: Muito bom Anselmo, sensacional.

No poker existe centenas e milhares de decisões… Eu estou tentando ajustar cada uma para torneio, vilão, blinds, prizes, icm, odds, tempo e etc.

Esses dias estou fazendo algo que geralmente não faço, mas é sem dúvida por impulso. Com certeza conseguir dá um FOLD com uma mão “boa” e ter certeza que está atras é algo fenomenal. No poker cada decisão pode influenciar no resto do torneio ou até mesmo do Bankroll…

Acredito que chegará o momento de cada um…

DonVitche: “Por não planejar, não ter o conhecimento e não saber como aplicar o conhecimento…”

Grande Mestre Anselmo, que tal, num desses seus raros momentos de paz para escrever, aprofundar-se um pouco mais nesse tema? Acho até que, pela extensão que o assunto necessariamente deverá produzir, fazê-lo num Post de Blog seria até mais producente.

Manda ver, Mestre!

Abração!

prof_anselmo: é isso aí afs, temos que aprimorar constantemente.

partir para o metagame, pois é necessário ir além.

Ver um Caio Pimenta ou um Beto Caju jogando, já é uma grande aula, porém saber o que passa na cabeça deles é o grande enigma.

Para isso temos que ir além… mudar o jogo e sair do óbvio. Jogar o feijão com arroz, já não garante nada para um nível de poker semi-profissional, que é onde quero chegar em breve.

para isso entra a sistematização do estilo, da estratégia e das táticas a serem usadas, levando-se em consideração tudo o que você disse que está reavaliando, além do que coloquei no primeiro post.

valeu amigo

prof_anselmo: muito bacana a sugestÃo Don, obrigado. Irei em tempo hábil, produzir algo nesse sentido. Não sou muito de escrever no blog, por achar que tem menos visibilidade do que o fórum. Mas posto em novo tópico.

e quanto ao post, pode tecer suas críticas, para que possamos discutir ok..

grande abraço

DonVitche: muito bacana a sugestÃo Don, obrigado. Irei em tempo hábil, produzir algo nesse sentido. Não sou muito de escrever no blog, por achar que tem menos visibilidade do que o fórum. Mas posto em novo tópico.

e quanto ao post, pode tecer suas críticas, para que possamos discutir ok..

grande abraço

Então, amigo, essa é de fato a grande questão em qualquer área do conhecimento humano que seja. Aplicar o conhecimento não é uma tarefa fácil.

Tenho visto tantos nomes de “moves” que até me perco um pouco nos conceitos, e na prática a gente os replica “sem nome”. Quando isso ocorre, essas ferramentas passam a ser utilizadas de forma pontual e sem a inserção do ato num propósito maior. Dessa forma não conseguimos evidenciar alguma estratégia pessoal e nosso jogo não evolui.

Tenho percebido, amigo Anselmo, muitos jogadores (mesmo em torneios de altos buy-ins), que após conseguirem resultados pontuais em algumas mãos que se resultaram positivas mais em função da sorte (acaso) que qualquer estratégia considerável, não conseguirem dar continuidade ao sucesso e caem dos mtt’s algum tempo depois.

Jogadores que se destacam no ranking de torneios logo no inicio, ou mesmo em fases intermediárias, via-de-regra não são os finalistas. Quase sempre as suas flutuações positivas de stack não se mantém, e os tenho visto submeterem suas posições, mesmo quando privilegiadas, à riscos absurdos, na simples corrida pela liderança. No final, quem vence os torneios são regulares com crescimento menos agressivo, mas também com menores flutuações.

Dessa forma, amigo Anselmo, o grande desafio que fica é: …como conseguir manter-se com os menores riscos sem que os blinds o sufoquem? Caso a estratégia seja sobreviver na tentativa de exercitar o seu melhor jogo na fase final, mesmo que nela chegando sem tanta munição quanto seria desejável, como almejar a vitória no torneio sem que para isso a sorte faça a diferença?

Sistematizar um perfil, mesmo que isso passe a ser uma métrica publica e portanto bem decifrável pelos nossos oponentes, parece-me a melhor estratégia, uma vez que passamos a manter o controle sobre as nossas ações e terminar os torneios, mesmo caindo, com a consciência de que fizemos o melhor “sem precisar contar tanto com a sorte”.

Estaria, desde o seu ponto de vista, correto este pensamento? Ou você entende que a “camuflagem” nessa selva ainda é a melhor opção? Caramba, amigo!!! Tenho visto jogadores extremamente regulares, jogando 12/10 durante boa fase dos torneios que, de repente, entram forte em uma mão com 23off e não largam as cartas por nada!!! Raramente dá certo e até são muito parabenizados nas mesas quando mãos assim vencem, mas não consigo entender esse comportamento, essa tentativa de “camuflagem”. Mesmo nas fases finais continuo selecionando as mãos da melhor forma que posso, enquanto assisto a destruição de stacks monstruosos na defesa de 9, T, J como top pair.

Por isso que gostaria muito de ler um texto seu mais aprofundado sobre este tema da estratégia como balisa para a sistematização do seu perfil. Quais métricas utilizar? De que forma enfrentar diferentes perfis de jogadores quando envolvidos na mesma mão?

Excelente assunto este por você abordado, Anselmo!

Forte abraço!

prof_anselmo: Perfeita sua pontuação Don.

Irei com certeza escrever sobre isso ainda nos próximos dias, pois você me motivou bastante a isso, e acho que posso tecer algumas considerações que talvez sejam importantes para a reflexÃo.

O que você coloca realmente eu observo, e vejo profissionais, como Aakkari dizerem que no período de rebuy, váo para o all in pré flop com T9s, Kt, enfim. Pois eles dizem que devem dobrar a qualquer preço e chegar na fase intermediária com cerca de 100 bb.

Concordar ou discordar? dessa estratégia dele, pois isso é uma estratégia se envolver em mãos, para ter que contar com a sorte nesses início do torneio para se ter mais ferramentas na fase intermediária. Certo ou errado? Depende da visão de cada um, e o estilo de jogo, pois é muito subjetivo e foge completamente ao que a cartilha tight ensina…

Mas também nÃo sou ninguém para falar que o homem está errado e apresenta resultados importantes no online.

Mas iréi abordar esse assunto, buscando levantar pontos para questionamento, para chegarmos a um ponto de convergência em termos de estratégia.

Havendo stack suficiente, ferramentas táticas suficiente e stats (e leitura) dos adversários. Eu entendo completamente normal, ao estar em posição e 3betar com JT s, em em estágio avançado do torneio. Mesmo fora de posição me agrada muito essa tática. Muito disposto a ver o flop e partir para um check raise no flop e ver a ação do oponente.

Note que eu não cogitei as cartas que podem vir ou não, mas sim o que vou fazer na mÃo indiferentemente do board.

Acho que muitos aqui, já me viram 3betando e foldando para um 4bet. No próprio vído da mesa final dos 50 k gtde, por 2 vezes eu 3betei light…

o fator agressividade nos estágios avançados do torneio é que nos farão ter ligeira vantagem contra os adversários e com isso, aumentarmos nossas chances de bons resultados.

Restringir o nosso range nos estágios intermediários e finais vai realmente contra ao que o poker moderno exige. Na medida que os blinds sobem, temos que desenvolver a habilidade de planejar táticas para acompanharmos os níveis dos blinds, a ponto de não sermos sufocados por eles.

Apenas finalizando, obrigado por sua pontuaçÃo acerca dessa temática fundamental em mtt.

embora o texto sirva para vários aspectos e modalidades não somente no poker, mas também em tudo que nos propusermos a fazer, ele se aplica perfeitamente ao mtt… que é verdadeiramente minha paixão…

em breve trarei mais considerações

Alan PK Star: Parabéns Anselmo, belo post, Poker e isso Estrategia, Tatica e Estudo, juntando tudo isso e colocando em pratica levará a você ser um CAMPEÃO.

afsalagoas: Eu surgiro meus caros jogarem Deep Stack, acredito que vai melhorar e muito a questão de análise e etc. Quanto a torneio tática e etc, já sabemos poker não tem fórmula mágica, jogar com 100bbs ou 20bbs sei lá cara, vai muito de cada um, claro que se tenho stack tenho forças e etc… Sei que estou de longe de ser um jogador ao nível da maioria aqui, mas eu estou procurando aperfeiçoar meu jogo a meu nível e outros detalhes… Por mais que analisamos isso ou aquilo, cada caso é um caso. Quanto a questão do fator sorte, vai entrar no tópico do infinito, isso é pimenta para o jogo. Está bem short tipo 3bbs e conseguir jogar 3 hands em seguida e dobrar dobrar a chegar o ponto tipo de 50bbs seria sorte? Aconteceu comigo no mtt de 1,10R… Passar o tempo de registro um mtt em 3º de stack e ser derrubado 10 minutos depois em 3 hands que joguei seria azar?

O que não podemos querer é “iguala-se” no momento que somos “expectadores” ao pessoal que vive disso ou seja imagine você no carro de F1 que sabe guiar e tal duelando contra um profissional, não será muito lega hein? Porém eu posso aprender com o estilo dele e tentar quem sabe chegar no nível dele, afinal um dia ele foi como eu e você…

A decisão correta é essa o que vou querer no poker? Anselmo já deixou bem claro a decisão dele e isso sim, pode ser decisivo daqui pra frente. Eu sempre apostei no pessoal desse fórum e sei que logo o sonho vai ser realizado…

Pitorescus: Excelentes as explanações do Prof. Anselmo. Inteligentíssima a ressalva do asfalagoas: não somos pilotos de F1!

Prof. Anselmo, “pegando carona” na sua ideia, sugiro que, após o levantamento dos pontos de análise que você pretende realizar, faça-se também um estudo pormenorizado de cada ponto, por meio da experimentação. Continuando na seara das sugestões, escolher-se-ia alguns jogadores (conforme critérios a serem estabelecidos) que ficariam responsáveis por aplicar determinada tática “ene” vezes em determinada situação, relatando o ocorrido. A partir do relatório produzido, poderíamos debater sobre os resultados.

Desculpem se mais uma vez estou “viajando”, mas, intimamente, considero a proposta interessante.

prof_anselmo: ótimas idéia Pitorescus.

Em alguns coachs que tivemos, alguns dos participantes tiveram a oportunidade de ver a aplicação da estratégia e das táticas propostas.

Náo vi em qualquer outro site, fórum ou livro, algo semelhante a essa proposta de tabular dados quantitativos afim de relatar o que ocorreu conforme a tática…

É sem dúvida uma proposta de estudo interessante.

Pode ser que essa idéia amadureça e consigamos tabular dados gerando com isso informações quantitativas, para serem analisadas qualitativamente.

Realmente gostei dessa proposta.

Temos alguns amigos aqui no fórum que gostam dessa linha de pesquisa, de gráficos de análise, quem sabe não saia um trabalho de nível acadêmico acerca das ferramentas que temos dentro do poker.

Mas não creio que seja um trabalho fácil ou simples.

Pois em cada um dos jogos “n” variáveis deveriam ser tabuladas como

buyin, stat dos jogadores, quantidade de horas de jogo, nível em que o torneio se encontra, prize oferecidos, bem como resultado dos jogadores: tanto nosso jogador, quanto dos jogadores que estão envolvidos nas mesas.

É uma oportunidade de pesquisa e produção do conhecimento…

DonVitche: Não entendo que você esteja “viajando” não, Pitorescus. Acho até que alguns ensaios nessa linha poderiam trazer revelações interessantes pra gente. Quem sabe não conseguiremos evoluir essa idéia.

Abraço!

Autor original: prof_anselmo.

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