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DonVitche

Propósitos num MTT e os Stacks Fisico e Mental - Parte-I

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Olá, amigos do PokerDicas!


Em comemoração aos meus 4k posts, resolvi usar como base para esses pensamentos aquela minha experiência no BSOP de Caldas Novas, em Goiás, onde participei no ano passado.


Como vocês certamente estão lembrados, consegui ficar ITM, e essa experiência me proporcionou entender a diferença entre o mundo On-Line e o Live, no que se refere aos nossos propósitos ao participarmos de um MTT.


Quando estamos jogando On-Line não conseguimos ver isso, uma vez que neste universo do poker tudo o que se nos apresenta são números e alguns
avatares, nada mais. Estamos ligados em todos os números à nossa frente. Nosso stack, os stacks dos nossos adversários, suas stats, a media dos stacks do torneio, a quantidade remanescente de jogadores, a nossa posição em cada momento, etc, etc, etc. Números, números e mais números.


Mas no Live tudo isso muda. Temos ao nosso redor somente pessoas, cartas e fichas. Olhamos a maior parte do tempo para as fichas dos nossos oponentes, e poucas vezes para as nossas próprias fichas, e isso, durante um dos intervalos que tivemos naquele evento, me chamou bastante a atenção.


O que representaria, de fato, aquelas fichas à nossa frente? Qual o seu real valor perante o nosso maior propósito ao estarmos ali presentes?


Propósito! Aqui reside um certo enigma.


Em cada uma daquelas mentes que lotavam o enorme salão retangular do Caldas Novas Resort havia um propósito diferente, uma escola diferente,
valores diferentes.


Parti então do meu propósito particular para começar a entender aqueles novos sentimentos. O que, na verdade, eu estava fazendo ali e o que
esperava da minha participação?


Isso tudo aconteceu em meados do ano passado, exatamente num do meus piores momentos. A vida havia me reservado uma série interminável de
crises financeiras, entre elas a perda de uma propriedade rural com mais de 100 alqueires na região de Paribuna-SP, que eu havia formado desde a
terra bruta.

Era meu paraiso particular, o lugar onde tencionava passar o resto dos meus dias. Mas aquilo também havia sido perdido, entre várias outras propriedades, e a insegurança sobre o futuro e alguma dignidade que fosse para a minha velhice e o conforto da familia pairava no ar como um exercício de agonia.


Ganhei o bilhete para o BSOP numa série de freerolls do FullTilt, e isso me deixou muito feliz. Mas entendia, naquele momento, que o bilhete seria
para jogar o BSOP de São Paulo, e fiquei bem frustrado ao saber que valeria para uma serie anterior, em Goiás, e não haveria como eu fazer a viagem e hospedar-me em algum lugar para poder estar presente.


Já havia desistido da idéia de estar por lá, quando minha esposa e meus dois filhos reuniram-se, fizeram muitas contas, e decidiram incentivar-me a
ir, mesmo que custear isso nos deixaria em situação ainda mais difícil. Eles entendiam que a importância desse assunto, para mim, valeria a pena
do esforço a mais que viria.


Relutei bastante, e disse-lhes que as minhas chances seriam bem pequenas pela falta de experiência em jogar, tanto pelo fato do torneio ser um Live
quanto por ser de grande porte.


Mas não houve jeito de convencê-los. Fui quase que obrigado a aceitar o esforço conjunto da familia para não perder o meu bilhete.


Evidente que essa obrigação seria um prazer inesquecível, mas evidente também que não me afastaria das preocupações daquele momento.


A partir daqui nascia meu maior desafio em jogar aquele torneio. que seria o de "não voltar para casa de mãos vazias".


Aí estava então o meu maior propósito. E de que forma isso influenciaria na minha participação?


Bem, quando falamos em "propósito" na condição de objetivo maior de algum empreendimento, precisamos ter em mente, de forma muito clara, os
passos que nos levarão até ele. Não voltar de mãos abanando era um sentimento muito forte, e isso apontava para 2 passos, além do desafio de
estar ali presente.


O primeiro passo seria o de sobreviver ao primeiro dia do torneio. Passar para o dia-2 já me parecia uma tarefa nada fácil, uma vez que acompanhara muitos desses torneios e sabia que poucos sobreviviam ao dia-1.


Mas, aqui, meu amigo, gostaria de lhe perguntar: De quantas fichas você precisa para vencer esse primeiro passo?


Essa resposta não é assim tão simples quanto pode parecer, porque, no seu formato mais óbvio apontaria para uma única ficha. Mas eu tinha mais passos a cumprir no meu objetivo maior, no meu propósito. Não iria poder entrar no dia-2 em all-in blinded-out já na primeira mão, concorda?


Então havia uma quantidade mínima de fichas que eu precisaria para iniciar o passo-2, que seria o propósito de entrar em ITM e não voltar para casa
de mãos vazias.


Nesse quesito todos sabemos, ou temos em mente, que eu estarei em shove or fold mode a partir dos 10BB. De forma meio que inconsciente,
atribuí um número a esse "stack mental", que seria, no mínimo, 10BB do último nível do dia, previsto para 1,5/3k, quer sejam 30k fichas.


Nesse ponto, meu amigo, nascia o meu primeiro "Stack Mental". 30.000 fichas.


Independente do stack inicial do torneio, que era representado por 25.000 fichas, aquele "bolinho" de fichas à minha frente, ou o meu "Stack Fisico",
não me dizia nada além das comparações que se viriam aos stacks fisicos dos meus adversários, a cada mão jogada naquele primeiro dia. O que
havia na minha cabeça era o que me valia de referência. 30k fichas!


Interessante que terminei o primeiro dia com 35.200 fichas. Pouco mais de 11BB!




Vencido esse primeiro passo, restava-me o desafio do segundo, que seria o "entrar no ITM", meu objetivo maior, meu propósito. Aqui, meu "Stack Mental" passaria agora para as 180k fichas. Tivesse eu a quantidade que fosse de fichas durante o dia-2 do torneio, esse meu stack mental não mudaria mais.


Por isso eu disse, no relato da minha experiência, que as fichas que estavam à minha frente nada representavam. As fichas que existiam "na minha mente", quer seja o meu stack mental, este sim era de suma importância por ser o único resultado esperado, o único aceito, meu propósito!


Existiu um momento, este bem descrito no relato que lhes passei assim que voltei de Goiás, onde precisei arriscar tudo para atingir esse objetivo, uma
vez que meu stack mental precisava ser construido. Assim, entrei naquele all-in triplo com o Vitinho Leão e mais um jogador, eu com JJ.




Gostaria de fazer aqui uma breve pausa para falar sobre o resultado dessa mão.
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