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Vizualizar Versão Completa : O Jogador de Poker



Tuca
04-12-2009, 11:26
Duvido muito que esse texto seja do LF Veríssimo, mas vale a pena ler. É bem bacana :happy34:

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Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo.

Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo um Royal Straight Flush ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando dentro.

Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro. Não se trata de adivinhar o caráter. Não é uma questão de caráter.

O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer.

Os puros são até melhores blefadores pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supäe ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento.

Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo, geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser. A história dos presidentes do Brasil desde Janio tem sido uma sucessáo de blefes. Jango também foi um blefe, na medida em que
aparentava ter um poder que não tinha. O golpe de 64 foi um blefe para quem acreditou nele. Um blefe involuntário. Sarney não foi um blefe completo porque ninguém esperava que ele fosse muito diferente. Collor foi um blefe deliberado que manteve a versáo política do poker face, que é uma cara-de-pau sustentada mesmo sob a ameaça do ridículo.

Luiz Fernando Verissimo

crampazoj
04-12-2009, 12:17
Gostei do texto. Legal, sendo ou não do Luiz Fernando Veríssimo...Até mais!!!